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| Quintino
Severo, secretário-geral da CUT |
Confira abaixo
a entrevista do secretário-geral da CUT, Quintino Severo, sobre o Dia Nacional
de Mobilização e Luta, 28 de maio.
Qual é o calendário dos cutistas nesta reta final pela
aprovação da redução da jornada de trabalho sem redução de salário e pela
ratificação das Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do
Trabalho?
Nossa prioridade e acredito que será de todo o movimento
sindical neste primeiro semestre ainda é garantir que vá para a pauta do
Congresso Nacional tanto o debate e as deliberações sobre a redução da jornada
de trabalho, como as convenções da OIT. Nossa expectativa é de que consigamos
incluir na pauta do Congresso estes pontos.
E como está o trabalho junto aos parlamentares?
Nossas iniciativas estão sendo todas no sentido de envolver o
conjunto dos parlamentares, pautando efetivamente este debate. Agora é preciso
que no dia 27, antecipando o Dia Nacional de Mobilização, haja uma panfletagem
em todas as regiões. O dia 28 será um dia de paralisações, de assembléias,
esclarecendo a importância da redução da jornada constitucional da jornada de
trabalho e da ratificação das Convenções 151 e 158. No dia 29 estaremos no
Congresso Nacional para entregar as centenas de milhares de assinaturas que
estamos colhendo. Nosso objetivo é que neste dia os parlamentares estejam
voltados para estes temas. Este é o nosso objetivo e acreditamos que será a
prioridade das categorias neste período.
Como está a tramitação das convenções?
É preciso destacar que as duas convenções têm características
diferenciadas. A Convenção 151 está fluindo melhor no Congresso Nacional, o
relator na Comissão de Relações Exteriores acolheu praticamente todas as nossas
sugestões sobre a negociação coletiva no serviço público e sobre um Projeto de
Lei para regulamentá-la. Há uma sensibilidade maior do relator...
O problema então está na 158?
Exatamente. Como já era esperado, uma convenção que coíbe a
demissão imotivada atrai contra si toda a resistência do empresariado, que está
fazendo uma série de questionamentos, desde a inconstitucionalidade da medida
até divulgarem absurdos, como se os trabalhadores fossem perder direitos e o
próprio Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. O patronato está jogando peso,
duro, para evitar que a convenção vá à plenário. Por isso avaliamos que é
preciso priorizar ações, principalmente junto à bancada do governo, para colocar
na ordem do dia este debate.
Na entrega do abaixo-assinado da redução, a 158 vem à tona com
peso...
Claro.
Porque apesar do abaixo-assinado ter o foco direto na
redução da jornada, a nossa cobrança e as nossas
manifestações lá no dia 29 vão dar de conta
de reivindicar também dos parlamentares uma
posição mais progressista, no sentido de pelo menos
debater e aprovar a ratificação da
convenção 158. A forma que está tramitando no
Congresso, a forma ofensiva e de discriminação como os
empresários têm tratado a própria discussão,
com desqualificação da Convenção, precisa
ser respondida com argumentos. Temos de instruir os nossos
parlamentares e o Congresso de uma forma geral para compreender melhor
o que a 158 significa, para desmistificar a distorção que
vem sendo feita pelos empresários, que jogam uma carga
pejorativa muito forte, negativa.
Está em curso uma verdadeira batalha?
Os empresários tratam a 158 como se fosse algo que viesse para
frear o crescimento econômico, criar obstáculos ao desenvolvimento do país,
impedir que os trabalhadores entrem no mercado de trabalho. É um verdadeiro
terrorismo, que precisa ser esclarecido. Vamos deixar claro: a convenção não
garante estabilidade, apenas e tão somente humaniza as relações de trabalho,
pondo um freio às demissões que estão completamente desenfreadas. Na verdade, os
empresários se utilizam das demissões para ampliar sua produtividade, gerar mais
lucro, colocando sob os trabalhadores o medo do desemprego para que se submetam
às suas políticas. É nesta perspectiva que queremos aprovar esta convenção,
barrando a alta rotatividade, que é um instrumento utilizado irresponsavelmente
pelo capital para rebaixar o custo do trabalho e cada vez mais diminuir sua
importância.
Agora é pressão total...
Nós queremos que os nossos ramos, as nossas CUTs estaduais,
organizem delegações para estar em Brasília no dia 29 com centenas de
companheiros. Mas é importante também que as nossas direções cobrem dos seus
parlamentares no próprio Estado. Este é um ano atípico, um ano eleitoral, onde
as eleições municipais podem ser muito positivas para ajudar a sensibilizar os
parlamentares, visto que muitos deles são candidatos nos municípios. Então
espero que a militância aproveite este momento para cobrar desses parlamentares
coerência e defesa dos interesses dos trabalhadores.
Leonardo@cut.org.br