|
O
governo de Santa Catarina, por meio do Secretário de Educação, Ciência e
Tecnologia, Paulo Roberto Bauer, ameaça interromper o desconto da Contribuição
Sindical na folha dos servidores estaduais a partir do mês de maio, se o
SINTE/SC - Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de
Ensino do Estado de Santa Catarina não apresentar até o dia 10 de maio,
nova autorização, com firma reconhecida, dos mais de 22 mil servidores
sindicalizados.
Essa
atitude arbitrária e desrespeitosa à liberdade de organização dos
trabalhadores fere os direitos constitucionais e viola os convênios 87 e 98
da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O
SINTE/SC, historicamente reconhecido como uma entidade que luta pelos
direitos dos trabalhadores, diante dessa afronta, denuncia o abuso explícito
de poder do governo Luiz Henrique (PMDB, PFL, PSDB), que tenta impedir a
manifestação pública do Sindicato com ações que, na prática, são
tentativas de inviabilizar a entidade.
Intervenção
no IEE - Instituto Estadual de Educação de Florianópolis
O
governo do estado de Santa Catarina, desrespeitando o processo eleitoral
realizado no final do ano passado para a diretoria do IEE, empossou um
interventor para a direção da escola. A comunidade do IEE (pais e alunos),
que participou do processo eleitoral, não aceita a imposição do governo e
exige a posse imediata dos diretores eleitos democraticamente.
Segundo
Paulo Bauer: “Essa eleição foi ilegal. É como se colocassem os detentos
para eleger o diretor do presídio...”, conforme publicado no jornal A Notícia,
do dia 24/04, pág. A8.
Desde
o início do ano a comunidade escolar resiste às ameaças do governo, que
tem lançado liminares, processos administrativos e intimidações de toda
ordem. No dia 11 de abril, a comunidade se mobilizou e após cinco
horas de enfrentamento conseguiu impedir a posse do interventor imposto. Em
represália, o governo suspendeu as aulas na segunda-feira (16/04) e
conseguiu uma liminar na justiça proibindo manifestações no IEE, com
possibilidade de multa de R$ 100,00 ao infrator.
No
dia 25/04, o SINTE/SC realizou uma grande assembléia com mais de 2 mil
trabalhadores em educação presentes, marcando o início da campanha
salarial da categoria, com aprovação dos principais eixos e calendário de
lutas.
Logo
após a assembléia, os trabalhadores seguiram em passeata até Instituto
Estadual de Educação para exigir a saída do interventor e em seguida,
caminharam até a Secretaria de Educação (SED) para solicitar ao secretário
Paulo Bauer uma audiência com o governador do Estado, Luiz Henrique da
Silveira, para apresentação da pauta de reivindicações.
Porém,
o governo não se mostrou disposto a negociar. Ao contrário, demonstrou
disposição em excesso para ações abusivas que culminaram, até então,
na ameaça de interromper o desconto da Contribuição Sindical na
folha dos servidores estaduais.
A
CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - enviou,
no dia 27 de abril, moção de repúdio ao governo de Santa Catarina,
exigindo a revogação da medida:
A CUT repudia a prática anti-sindical
do governdo lhs
A Central Única dos
Trabalhadores reafirma seu apoio aos profissionais da educação na luta
pelo exercício da democracia nos espaços de educação formal mediante a
eleição direta para diretores de escolas e repudia toda e qualquer forma
de prática anti-sindical.
Consideramos a intenção de
suspensão, pelo Governo do Estado, da contribuição financeira dos
educadores catarinenses associados ao SINTE, nesse momento de impasses na
negociação entre a Secretaria de Estado da Educação – SEE e a entidade
sindical no que se refere ao Instituto Estadual de Educação, se de fato
efetivada, uma ameaça de prática anti-sindical, pois, além de
inviabilizar o conjunto das ações da entidade nos compromissos com seus
associados, compromete também outros compromissos que, se não cumpridos,
causam danos a terceiros, como a folha de pagamentos do sindicato.
É inadmissível que um
governo com a capacidade de implementar três reformas administrativas e com
a base política e administrativa que criou não consiga administrar o
impasse dentro de uma das unidades escolares de ensino público do Estado
sem prejudicar o conjunto dos profissionais da educação da rede estadual.
A CUT espera, mais uma vez,
que o Governo LHS assuma sua responsabilidade no processo e crie as condições
para negociar e finalizar os conflitos no IEE. Quem sabe, o Governo LHS
aproveita o momento para inserir o Instituto no sistema estadual de ensino
sem o status de Gerência Regional de Educação, atribuindo ao mesmo o
tratamento dispensado às demais unidades escolares da rede pública
estadual.
Florianópolis, 03 de
maio de 2007.
Direção Executiva da CUT SC
Moção
de repúdio ao governo de Santa Catarina
A
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade
representativa de cerca de 2,5 milhões de trabalhadores da educação básica
pública em todo país, à qual é filiado o SINTE/SC (Sindicato dos
Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), vem a público repudiar a
atitude do governo de Santa Catarina, por meio do Secretário de Educação,
Paulo Roberto Bauer, de interromper o desconto da contribuição sindical a
partir do mês de maio, caso o Sinte não apresente novas autorizações dos
servidores sindicalizados até o dia 10 de maio.
Esta
medida, tão repentina, representa uma clara violação dos convênios 87 e
98 da Organização Internacional do Trabalho, o que justificaria uma denúncia
internacional junto à Internacional da Educação (IE) e a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) por desrespeito à liberdade de organização
dos trabalhadores e trabalhadoras.
A
ingerência nos assuntos internos dos sindicatos, perseguição política e
a discriminação aos sindicalistas caracterizam uma violação de direitos
fundamentais de trabalhadoras e trabalhadores estabelecidos nos convênios
da OIT mencionados anteriormente.
Neste
sentido, exigimos do senhor governador LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA a revogação,
imediata, dessa medida nefasta, que somente cria insatisfação e temeridade
para o movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras em educação
catarinenses.
Brasília,
27 de abril de 2007
Diretoria
Executiva da CNTE
Novas
ações
Nesta
quinta (4/5), foi realizado um ato em frente ao prédio de administração
do governo, enquanto uma comissão composta pela CUT-SC, SINTE e outras
entidades, participavam de audiência. O presidente da CUT-SC, Neldi Antônio
Giachini, disse que a comissão foi recebida pelo Coronel Chefe da Casa
Civil, (e não pelo governador), que propôs audiência com o governo para
daqui a 15 dias. “Não aceitamos esperar mais quinze dias, isso é um
absurdo”, declarou Neldi. “Exigimos que o governador nos receba com urgência
e nos responda sobre mais esse desrespeito à classe trabalhadora”,
completa.
|