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07/05/2007

Fome na Arena Jaraguá

Trabalhadores submetidos à humilhação pela empreiteira

Os serventes de pedreiro Antônio Aparecido Oliveira e Eliandro Pereira procuraram o Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário (Siticom) na manhã desta quinta-feira (3) para denunciar as péssimas condições de vida nas obras de conclusão da Arena Jaraguá, a cargo da empreiteira subcontratada pela Proma, denominada Milton Ferreira Teixeira ME. "Ficamos cinco dias sem comida e tivemos que pedir dinheiro emprestado. A empresa fornece alimentação no refeitório somente para quem esteja trabalhando, acabou o serviço, nem o pagamento é efetuado", reclamou Antônio. "Não vamos admitir que empresas busquem o pessoal no Paraná e não ofereçam as mínimas garantias de sobrevivência", protesta a vice-presidente do Siticom, Helenice Vieira dos Santos. "Muitos dos que trabalharam na Arena Jaraguá não foram registrados, não receberam os direitos trabalhistas de lei e ficaram sem alimentação e alojamento", denuncia Helenice.

Os dois trabalhadores da Milton Teixeira ME foram demitidos sem receber os valores devidos e tiveram a Rescisão de Contrato de Trabalho homologada com ressalvas pelo Sindicato. O servente Antônio recebeu apenas R$ 131,00 em verbas rescisórias, enquanto Eliandro ficou com R$ 46,01, porque em seu cartão-ponto constam somente 20 horas trabalhadas durante todo o mês de abril. "Sofri um acidente e nem emitiram a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), tive que ir a Curitiba para consultar o médico e não recebi qualquer auxílio da empresa, só me pagaram a passagem", contou Eliandro. A queixa também é grande em relação aos maus tratos na empreiteira. "Eles rebaixam muito a gente, chegaram a chamar a polícia para impedir nossa entrada no refeitório", denunciaram.

Naturais de Guarapuava e Curitiba (PR), os dois trabalhadores vieram para Jaraguá do Sul em fevereiro e março, respectivamente. Em contato telefônico feito pelo Siticom, o proprietário da empreiteira, Milton Teixeira, não reconheceu os direitos dos trabalhadores, tão pouco o não-fornecimento da alimentação. No entanto, "os trabalhadores nos garantem que ficaram cinco dias sem receber alimentação. Vamos acionar o Comitê sobre Condições de Trabalho na Indústria da Construção Civil (CPR-MR) e até o Ministério Público do Trabalho, se necessário, para evitar que esse tipo de humilhação continue ocorrendo nas empresas subcontratadas em Jaraguá do Sul ", adverte Helenice. 

(foto em anexo: Helenice atende os trabalhadores que procuraram o sindicato para reclamar dos maus tratos na empreiteira de Milton Teixeira)

Fonte: SITICOM

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