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Os
serventes de pedreiro Antônio Aparecido Oliveira e Eliandro Pereira
procuraram o Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário
(Siticom) na manhã desta quinta-feira (3) para denunciar as péssimas condições
de vida nas obras de conclusão da Arena Jaraguá, a cargo da empreiteira
subcontratada pela Proma, denominada Milton Ferreira Teixeira ME.
"Ficamos cinco dias sem comida e tivemos que pedir dinheiro emprestado.
A empresa fornece alimentação no refeitório somente para quem esteja
trabalhando, acabou o serviço, nem o pagamento é efetuado", reclamou
Antônio. "Não vamos admitir que empresas busquem o pessoal no Paraná
e não ofereçam as mínimas garantias de sobrevivência", protesta a
vice-presidente do Siticom, Helenice Vieira dos Santos. "Muitos dos que
trabalharam na Arena Jaraguá não foram registrados, não receberam os
direitos trabalhistas de lei e ficaram sem alimentação e alojamento",
denuncia Helenice.
Os
dois trabalhadores da Milton Teixeira ME foram demitidos sem receber os
valores devidos e tiveram a Rescisão de Contrato de Trabalho homologada com
ressalvas pelo Sindicato. O servente Antônio recebeu apenas R$ 131,00 em
verbas rescisórias, enquanto Eliandro ficou com R$ 46,01, porque em seu
cartão-ponto constam somente 20 horas trabalhadas durante todo o mês de
abril. "Sofri um acidente e nem emitiram a CAT (Comunicação de
Acidente de Trabalho), tive que ir a Curitiba para consultar o médico e não
recebi qualquer auxílio da empresa, só me pagaram a passagem", contou
Eliandro. A queixa também é grande em relação aos maus tratos na
empreiteira. "Eles rebaixam muito a gente, chegaram a chamar a polícia
para impedir nossa entrada no refeitório", denunciaram.
Naturais
de Guarapuava e Curitiba (PR), os dois trabalhadores vieram para Jaraguá do
Sul em fevereiro e março, respectivamente. Em contato telefônico feito
pelo Siticom, o proprietário da empreiteira, Milton Teixeira, não
reconheceu os direitos dos trabalhadores, tão pouco o não-fornecimento da
alimentação. No entanto, "os trabalhadores nos garantem que ficaram
cinco dias sem receber alimentação. Vamos acionar o Comitê sobre Condições
de Trabalho na Indústria da Construção Civil (CPR-MR) e até o Ministério
Público do Trabalho, se necessário, para evitar que esse tipo de humilhação
continue ocorrendo nas empresas subcontratadas
em Jaraguá do Sul
", adverte Helenice.
(foto
em anexo: Helenice
atende os trabalhadores que procuraram o sindicato para reclamar dos maus
tratos na empreiteira de Milton Teixeira)
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