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Projetos do pacote de maldades do prefeito de Jaraguá do Sul é aprovado sobre gritos e lágrimas dos servidores

22/03/2017

Servidores públicos municipais de Jaraguá do Sul em greve há mais de 15 dias, tiveram seus direitos retirados pelos vereadores da cidade, que aprovaram sem debater dois projetos que compõem o pacote de maldades do prefeito

Escrito por: Sílvia Medeiros

Com lágrimas nos olhos e grito na garganta. Foi essa a reação das centenas de trabalhadores no serviço público municipal de Jaraguá do Sul, que estiveram presentes na tarde do dia 21 de março na Sessão da Câmara de Vereadores, que votou dois dos projetos que fazem parte do pacote de maldades do prefeito Antídio Lunelli do PMDB para cima do serviço público da cidade e dos seus trabalhadores.

Ao chegar em Jaraguá do Sul, município que ocupa a quinta maior economia do estado com grandes empresas metalúrgicas e têxteis, já é visível o desleixo da administração pública para com a cidade. Jaraguá do Sul já foi exemplo para o restante do estado. Escolas municipais forneciam tablets e uniformes para seus alunos, não havia um posto de saúde sem ar condicionado e com uma equipe excelente de profissionais. O tempo foi passando e os prefeitos que assumiram, todos com uma linha empresarial, foram desistindo de investir em saúde e educação aos seus moradores e passaram a adotar políticas de enxugamento do serviço público.

Até assumir o prefeito Antídio Lunelli, dono de uma grande empresa têxtil da região e dar o mais duro golpe contra o serviço público: retirar direitos dos trabalhadores. Numa medida autoritária e sem diálogo, o prefeito enviou para a Câmara uma série de projetos que vão desde a diminuição de direitos como a redução do triênio de 6% para 3%, até o fim de direitos básicos como o auxílio refeição; fim da gratificação por pós-graduação e do FGTS aos professores temporários, chamados de ACTs; o fim da progressão dos servidores que participam de cursos; fim da gratificação para servidores que trabalham no programa de Estratégia para a Família - ESF, sendo que só essa gratificação equivalia a quase 40% do salário destes profissionais e suspensão de novas bolsas de estudo.

A sessão que gerou mais união - Esse pacote de medidas duras teve reação imediata dos trabalhadores, em greve desde 6 de março, a categoria está com uma unidade nunca vista em Jaraguá do Sul.

Sentadas lado a lado na sessão da Câmara de Vereadores estava a professora de matemática Isalete Meura, servidora há 17 anos de Jaraguá do Sul e a agente de saúde Letícia dos Santos Souza, que trabalha há dois anos na prefeitura da cidade. Antes da greve elas não se conheciam, trabalham em lugares distintos e em bairros diferentes, mas agora com o pacote de maldades do prefeito Antídio, elas lutam juntas!

Apesar de toda a manifestação dos servidores que lotaram o plenário da câmara e os mais de dois mil servidores que ficaram no lado de fora, seis vereadores dos onze que legislam na cidade, ignoraram a voz e pedido dos trabalhadores e votaram conforme o prefeito os havia orientado. Aprovaram dois projetos desastrosos para o serviço público e um só não foi para votação, por uma liminar da justiça que dizia se tratar de um projeto ilegal.

Para Luiz Cezar Schorner, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jaraguá do Sul e região – SINSEP, essa postura da justiça já demonstra a série de ilegalidades da medida do prefeito. “Eles estão cometendo uma série de irregularidades, nós vamos acionar a justiça contra os projetos que foram aprovados”.

A Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Santa Catarina – FETRAM/SC, através do presidente Lizeu Mazzioni, tem acompanhado a paralisação dos trabalhadores. De acordo com ele, o prefeito tem sido intransigente em não sentar para negociar com a categoria. “Para a imprensa ele divulga que o sindicato não quer negociar, mas na prática ele não chamou uma mesa de negociação e não abre diálogo com a categoria. Se ele aposta no esvaziamento e no fim da greve sem retirar o projeto, ele está enganado. Os servidores de Jaraguá do Sul demonstram ter muito folego para enfrentar essa retirada de direitos”.

Ao final da sessão que aconteceu com gritos de protestos dos servidores, os seis vereadores que votaram a favor da retirada de direitos dos trabalhadores, não tiveram coragem de sair para encarar o povo. Ficaram trancados numa sala alegando ter medo dos professores, enfermeiros, médicos, agentes de saúde, motoristas, assistentes sociais, secretários, jornalistas, auxiliares de limpeza, merendeiras e demais trabalhadores que eles retiraram direitos.

A presidente da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, que acompanhou a votação, ressaltou que os servidores querem que a greve continue e que só retornarão ao trabalho quando o prefeito revogar todos eles.  Para Anna a estratégia de luta agora é cobrar a responsabilidade dos vereadores, que não debateram o impacto do pacote do prefeito e se acovardaram frente a população. “Não dá para aceitar que os representantes do povo tomem uma postura tão vergonhosa como foi a sessão do dia 21. Eles, assim como o prefeito, são os responsáveis pela continuidade da greve e precisam ser denunciados”.

Na próxima quinta-feira, dia 23 de março haverá outra sessão que vota os demais projetos de retirada de direitos, a greve que já dura 17 dias e abrange 75% dos trabalhadores, continua e está sem previsão de acabar.

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