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A gurizada da ocupação

10/11/2016

Mais de 20 escolas e institutos federais estão ocupados em Santa Catarina. Os estudantes reivindicam a retirada da Medida Provisória 246 da reforma do Ensino Médio e a votação contrária ao Projeto 55 (antigo 241) que congela os gastos dos investimentos públicos

Escrito por: Sílvia Medeiros

Sentados na segunda fileira de cadeiras do auditório Antonieta de Barros, quatro estudantes prestavam atenção no debate. Entre uma mensagem e outra pelo celular, um deles exclama uma palavra em som bem alto, demonstrando extrema animação pelo recado recebido via telefone. Eles se abraçam e depois começam a divulgar a informação para as pessoas que estão a sua volta. “Aprovou, a assembleia aprovou, nós vamos continuar com a ocupação!”.

Alysson, Gabrieli, Cris e Kelli viajaram mais de 500km, de Chapecó a Florianópolis para participar da Audiência Pública sobre a Reforma do Ensino Médio que aconteceu na Alesc dia 7 de novembro. Eles são os representantes da ocupação da Escola de Educação Básica Tancredo de Almeida Neves, que está ocupada há mais de duas semanas. No dia da audiência, era também o dia de mais uma assembleia dos estudantes para decidir se continuariam com a ocupação.

Apesar da pouca idade e da aparência juvenil dos quatro adolescentes, algo estava muito maduro pra eles: a luta é pelos direitos de todos, dos que estudam em escolas públicas, dos que não estudam e até de quem não apoia a ocupação.

Ansiosos para falar, mas muito organizados, Alysson pede “Um de cada vez fala, sem interromper o outro”, orientação antes de começarem a contar o que os levou a tomarem essa decisão. “Não foi algo sem pensar, primeiro os professores nos explicaram o que estava acontecendo e do que se tratava essa PEC 241, depois aprendemos mais sobre o MP 246. Nós não temos grêmio estudantil, dai um grupo de estudantes chamou todos os alunos e em assembleia todos votaram, que o melhor caminho para impedir que aqueles projetos sejam aprovados, era a ocupação”.

 “A gente continua tendo aula, só que agora de uma forma diferente. Temos aulas diversificadas em que professores de universidades vão até a nossa escola e dão aulão pra gente. Aprendemos tudo, desde matérias que caíram no Enem, até um estudo de cada artigo da PEC 241. A gente não impede ninguém de estudar, assim como temos direito de lutar, outros têm o direito de assistir a aula”, explicaram os estudantes ao relatarem que os que não apoiam a ocupação, continuam tendo aula. Mas segundo eles, é um pequeno grupo, no máximo duas ou três turmas.

A escola estadual Tancredo Neves é uma das que está dentro do Projeto Inovador, que oferece aula em tempo integral. Uma das propostas da Medida Provisória 246, da Reforma do Ensino Médio, prevê o aumento das escolas em tempo integral. Uma ideia aceita por toda a sociedade, porém os estudantes que já estão dentro desse modelo, levantam uma grave preocupação. “Como que o governo quer colocar um projeto de escola em tempo integral e ao mesmo tempo outro que congela os gastos públicos? Como que ele vai fazer para ter uma estrutura de escola que abrigue os alunos durante o dia todo. Essa conta não fecha”, calculam os estudantes.

Indagados sobre a forma com que algumas pessoas da sociedade tratam as ocupações, eles dizem que a imprensa conta coisas pra deslegitimar a luta. “A gente não esta invadindo, porque a escola já é nossa! A escola é pública, sustentada com dinheiro dos nossos pais que trabalham e pagam impostos. A gente esta lutando por todos, porque temos certeza, se essa PEC for aprovada todos nós seremos afetados”.

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