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Por que os bancários fazem greve?

22/09/2016

Bancários fecham agências de todo o estado e dialogam com a população sobre o lucro dos banqueiros

Escrito por: Sílvia Medeiros

Na vidraça dos bancos quase não se vê o outro lado, a parte interna fica escondida pelos adesivos que fecham todo o espaço com a frase “estamos em greve”. Apesar do aviso e da luz apagada dentro do banco, as pessoas entram na agência vão até o caixa eletrônico e conseguem fazer suas transações.

Sentado no lado de fora da agência estão bancários, no chamado “piquete de greve”, eles estão ali para convencer os trabalhadores que não devem entrar para trabalhar. Nos bancos privados a pressão por parte dos gerentes para que o trabalhador não faça adesão à mobilização é muito grande.

Já se passaram 17 dias de greve, uma das maiores dos últimos anos. A federação que reúne os banqueiros do país, a FENABAN, não apresenta uma proposta melhor para os trabalhadores. Até agora a porcentagem de reajuste apresentada foi de 7%, um percentual abaixo da inflação de 9,62% e muito longe do pedido dos bancários que é de inflação mais 5%.

Mas porque os bancários fazem greve se eles ganham tão bem? Esse foi um dos posts que circulou pela internet nesses dias de greve. Sempre quando há uma paralisação de alguma categoria, parcela da sociedade costuma se colocar contra os trabalhadores e indagarem o salário e benefícios de determinadas categorias e não o lucro dos patrões.

Jacir Zimmer, representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Créditos de Santa Catarina – FETEC-SC, explica que os altos salários dos trabalhadores em bancos é uma ilusão repassada para a sociedade, o que de fato existe é uma organização nacional dos trabalhadores que conseguem angariar reajustes e direitos, que serve de referência para várias outras categorias.

“Agora o que não é ilusão é que os bancos são fontes de lucro exorbitantes! Faturam em tudo, seja com cobrança de juros e taxas abusivas ou através da exploração de seus trabalhadores. Nos primeiros três meses desse ano, os bancos Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica tiveram mais de R$ 29 bilhões de lucro”, ressalta Jacir.

Quem não está lucrando nessa história toda são os trabalhadores, sejam os funcionários de bancos ou os que dependem de atendimento das agências bancárias, todos estão no prejuízo. Quem frequenta os bancos já percebe a diminuição de trabalhadores para atendimento da população. “Toda vez que eles demitem alguém, o totem de atendimento é retirado e eles não repõe outro trabalhador”, lamenta a funcionária do Banco Itaú. Essa declaração é confirmada com os dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF/CUT, que ressalta que só nesse ano mais de 8 mil postos de trabalho foram extintos pelos bancos do país.

“A greve dos bancários vem para expor essa realidade. O lucro dos patrões mais ricos do mundo cresce e a precarização das relações de trabalho aumenta. O atendimento da população fica cada vez mais computadorizado e o custo de uma transação bancária cada vez mais caro”, comenta a presidenta da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues.

Em Santa Catarina há uma grande adesão da paralisação, os sindicatos tem mantido a recomendação da justiça de ter no mínimo um percentual de 30% nas sedes administrativas, porém as agências estão fechadas. De acordo com Jacir, não há previsão do fim da greve. “Enquanto não houver uma proposta satisfatória dos banqueiros, nós nos manteremos em greve”, afirma ele.

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