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Escrevo
pelo compromisso com a verdade e o amor ao Brasil, em nome das dezenas de
milhares de companheiros e companheiras que nos acompanharam a Brasília
no 16 de agosto e dos milhões que comungam conosco, identificados com o
projeto político que levou Lula à presidência e desbancou os
neoliberais, privatistas e entreguistas.
Em
repúdio ao golpismo, promovido e alimentado por setores da mídia, do
PSDB e do PFL que tentam desestabilizar o governo; em defesa de uma
Reforma Política democrática como instrumento contra a corrupção e por
mudanças na política econômica, que reduzam a absurda taxa de juros e o
superávit primário; trabalhadores, estudantes, mães com crianças no
colo, aposentados e pensionistas, marcharam pela Esplanada dos Ministérios.
A
manifestação da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), desde o
primeiro momento da sua convocação, enfrentou o preconceito e a infecta
campanha monocórdica dos meios de “comunicação”, que se apressaram
em carimbar de “oficialistas” algumas das mais representativas e históricas
entidades populares brasileiras.
Como
se desconhecessem que CUT, CMP, UNE, Ubes, MST e Conam, ao lado de outras
não menos importantes organizações, vêm conformando um amplo leque de
alianças – e compromissos – há muito tempo. Fomos a Brasília
precisamente para cobrar uma guinada nos rumos da economia e a
“reconstrução de uma nova maioria política e social em torno de uma
plataforma anti-neoliberal”, como expressamos na Carta ao Povo
Brasileiro.
Desrespeitando
as mais elementares regras do jornalismo, a chamada “grande” imprensa
brasileira colocou os seus principais articulistas para opinarem sem
qualquer escrúpulo contra a nossa manifestação, num vale-tudo
editorial. Desde a invenção de supostas palavras de ordem, à invenção
de formidáveis patrocínios, passando pela edição de fotos parciais que
não refletiam a real dimensão da passeata, até o cúmulo de citar números
desconexos da Polícia Militar – subordinada à Secretaria de Segurança
Pública do governo que agiu nos bastidores em favor do ato do dia
posterior contra Lula – de tudo foi utilizado na ânsia de confirmar sua
tese de que o presidente está isolado e que já não conta com o apoio da
sociedade brasileira. Conforme citou a mídia, a PM informou de 10 a 16
mil, depois seis mil e, no final, apenas dois mil manifestantes em frente
ao Congresso Nacional.
Infelizmente
para esses senhores, que crêem sermos a plebe, a quem deva ser negado o
acesso à Casa Grande, senhores que ainda não admitiram a idéia de ter
um operário na Presidência da República, contamos com uma força
infinitamente mais poderosa do que a soma dos seus holofotes, suas ondas
de desinformação e seus rios de tinta de manipulação. Contamos com a
verdade.
Por
estarmos de lados distintos, por sermos partidários da democratização
dos meios de comunicação, do fortalecimento das redes públicas e
comunitárias, e condenarmos o uso privado da informação, prostituída
como mercadoria, é que os grandes monopólios da desinformação vêm nos
atacando. Some-se a isso, é claro, nossa aversão à submissão, nossa
defesa da classe trabalhadora, da soberania e da independência, da
integração latino-americana. Mais do que palavras, manifestações de
apoio ao governo em medidas concretas, contrárias aos desígnios dos
senhores do Norte, via de regra patrocinadores materiais ou mentores
intelectuais de determinadas publicações.
Sem
essa consciência, sem a compreensão real do inimigo, muitos companheiros
poderiam perguntar o porquê de tamanha parcialidade dessa gente, de
tamanha aversão aos fatos e do apego aos boatos, práticas que vêm
contaminando muitas redações e levando-as ao descrédito. É o velho
preconceito de classe mostrando-se em carne e osso. O mesmo viés oligarca
que, na Venezuela, tentou descaracterizar os movimentos sociais quando se
levantaram contra o golpe de direita e em apoio ao mandato do presidente
Hugo Chávez.
O
espaço desmedido entregue no dia 17 a uma passeata na mesma Esplanada, do
esquerdismo infantil, tão caro à direita degenerada, demonstra apenas
ser fraqueza e oportunismo a tentativa desesperada de transformar o
virtual em real, dar ares de sobriedade à farsa golpista. Para nós,
sequer direito de resposta.
Como
as manifestações populares que se seguirão vão comprovar, estão
enganados os que tentam apoiar suas bandeiras no fétido, lodoso e estéril
terreno da mídia chapa branca... vermelha e azul.
Por:
João Antonio Felício é presidente nacional da Central Única dos
Trabalhadores
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