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CENTRAL  ÚNICA DOS TRABALHADORES
SANTA CATARINA

 

                                


Artigo

Quilombo Invernada dos Negros.

 

O Movimento Negro Unificado a Comissão Estadual Contra Discriminação Racial da CUT, mantém, postura critica e dura em relação às questões sócio – raciais, que em nosso juízo ainda necessita ser conduzida de maneira séria e responsável, não nos calaremos e não cansaremos em dar visibilidade da caótica situação a que é submetida à Comunidade Invernada dos Negros. Entendemos ser difícil a nossa jornada já que a nossa estrutura é de certa forma débil, por muitas vezes não desfrutamos do apoio necessário para seguirmos a nossa jornada, impelido pela cultura racista ou até mesmo pelo desconhecimento da contribuição histórico – cultural que esse povo, vem prestando a nação, além de estar secularmente projetando uma luta pacifica de resistência no sentido de manter as suas tradições e a conquista de suas terras. A Comunidade Quilombola Invernada dos negros, constituída desde  1877 não pode esperar mais pela vontade política de alguns setores do governo, tão pouco de alguns segmentos da sociedade ( o senador Jorge Konder Bornhausen PFL, comprometido com setores racistas, e ator de ADIN, que questiona a legalidade da titulação de terras as comunidades quilombolas).  A Secretaria Especial Pela Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR e Fundação Palmares (órgãos do governo federal que vem promovendo ações no sentido de incluir segmentos historicamente marginalizados).

A ação rápida do Ministério Publico do Trabalho e da Policia Federal, a denuncia de  trabalho escravo na região direcionado principalmente a comunidade quilombola desencadeou uma ação investigativa nas empresas Iguaçu de Celulose e Papel SA. Reflorestadora Monte Carlo, Imarilbo SA. Industria e Comércio, Agroflorestal Ibicuí SA. e Allan Transporte Ltda, confirmando o que realmente havíamos denunciado, condições degradantes de trabalho, total falta de higiene na manipulação dos alimentos, falta de conforto no refeitório inexistência de serviço de privada adequados não fornecimento de água potável, falta de abrigo para proteger os trabalhadores das intempéries, documentos assinados em branco, falta de registro em carteira do trabalho de alguns empregados, conforme divulgado na pagina 40 do Diário Catarinense do dia 04/09/05. Noticias que expõe as mazelas nefastas da escravidão, dando mostras que a liberdade e a dignidade humana ainda estão distantes dessa comunidade.

Conforme anteriormente citado o espírito de luta de povo sofrido e inconformado com essa situação secular de precariedade e desprezo tomou as ruas de Florianópolis no dia 24 de agosto deste, protestando contra a presença de grileiros e a  morosidade da demarcação de suas terras além da perseguição criminosa que sofrem dos donos das industrias denunciadas, cerca de 150 quilombolas viajaram mais de 400Km para a capital do estado no sentido de materializar as suas reenvidicações. O Instituto de Colonização e Reforma Agrária – INCRA deve cumprir o seu papel demarcando as terras de propriedade da comunidade e o IBAMA uma ação imediata no sentido de coibir que empresas venham a se instalar  em propriedade quilombola, escondendo no pretesto do progresso a degradação da terra e a poluição e comprometimento dos mananciais, convém alertar a todos que isso não se constitui apenas em um problema do povo de quilombos, tal situação haverá de afetar toda a população que necessita de água potável.

  

Por: Wilson Martins Lalau - 1º Secretário Geral e Coordenador da Comissão Estadual Contra a Discriminação Racial da CUT; Diretor Resp. pelo Coletivo de Gênero e Raça do SINERGIA.

 
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