A
batalha pelo Orçamento da União de 2006 condensa neste momento as atenções
e as energias dos movimentos sociais e, em especial, do sindicalismo
cutista, para garantir os recursos necessários para a valorização
crescente do salário mínimo e os investimentos inadiáveis nas obras
sociais.
Potencializada
pela recente “ocupação” do Congresso Nacional, a II Marcha pela
valorização do salário mínimo e pela redução da jornada de trabalho
ganha, portanto, caráter estratégico, pois nos permitirá avançar nas
conquistas expressas e reivindicadas pela Agenda dos Trabalhadores.
Melhorias que se traduzem em geração de emprego e renda, em direitos que
representam qualidade de vida e trabalho, e que descortinam novos
horizontes para o país. Desenvolvimento sustentável, crescimento
econômico, justiça social, soberania: esta é a estrada que queremos
pavimentada e sem retorno.
Não
é de se estranhar, portanto, o silêncio dos grandes meios de comunicação
sobre a riqueza da nossa pauta. Simplesmente calam porque não lhes diz
respeito, mais preocupados que estão em fomentar boatos e gestar crises
do que informar.
HORA
DA DECISÃO - Podemos afirmar com todas as letras: esta é a hora
da decisão, onde se vislumbram dois caminhos diametralmente opostos, duas
concepções distintas de país. Porque temos lado, entramos em campo com
a companhia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Nos contrapomos
de forma contundente à continuidade dessa lógica excludente herdada dos
tucanos, alicerçada nos juros altos, no superávit primário e no câmbio
flutuante, pois somos testemunhas dos reflexos extremamente perversos para
a afirmação de um projeto de nação, particularmente para a
infra-estrutura e às áreas sociais, relegadas ao contingenciamento de
verbas e a paliativos que se eternizam.
Lutamos
para garantir os recursos para a valorização crescente do salário mínimo,
que não apenas deve repor a inflação e a variação do PIB, mas um
aumento real digno, à altura dos cerca de R$ 150 bilhões pagos em juros
aos banqueiros e especuladores nos últimos doze meses. Para ampliar a
injeção de recursos, propomos a implementação de um imposto sobre
grandes fortunas, que seria cobrado uma única vez de quem possuísse
patrimônio superior a R$ 2,4 milhões. Propomos o estabelecimento de
metas de emprego na política macro-econômica, que não pode continuar
sendo pautada apenas pela inflação baixa. A redução da jornada sem
diminuição de salário permitirá gerar centenas de milhares de novos
postos, mas também ampliar o convívio familiar, com mais tempo para o
lazer, o esporte e a cultura. Estamos na briga pelos servidores públicos,
que merecem ter seus acordos respeitados, reajustes dignos e perspectiva
de crescimento e de qualidade nas suas carreiras. Vestimos a camisa dos
aposentados por proventos vinculados ao salário mínimo e a integralidade
de seus reajustes e por uma Previdência Social pública que dê dignidade
e amparo à velhice.
AVANÇOS -
As provas do nosso êxito coletivo estão presentes por toda parte e
precisam ser sempre bem pesadas, já que são importantes nutrientes para
o enfrentamento aos novos desafios. Os reajustes iguais ou superiores à
inflação para 83,6% das categorias com data-base no segundo semestre são
exemplo disso, assim como a pressão política dos trabalhadores rurais
que conseguiram alavancar os recursos para a agricultura familiar e a
vibrante marcha dos movimentos sociais no dia 16 de agosto, combatendo a
campanha de desestabilização da mídia e exigindo mudanças na política
econômica. È claro que temos ainda muito chão pela frente, mas reunimos
hoje cada vez melhores condições para reivindicar e conquistar.
Entre
os inúmeros pontos que merecem redobrada atenção está a Mesa Nacional
de Negociação Permanente, que deve ter seu propósito recuperado a fim
de que se constitua como instrumento efetivo de consolidação do diálogo,
imprescindível para a obtenção de resultados, valorizando o servidor e
o serviço público. O combate às terceirizações, ao trabalho escravo,
ao trabalho infantil e a maior fiscalização das DRTs para impedir a
precarização, uma reforma sindical que fortaleça a democracia, a
liberdade e a representatividade das entidades, com maior presença e
enraizamento através da Organização no Local de Trabalho, são alguns
dos temas na ordem do dia.
Como
os companheiros já demonstraram nas diferentes lutas das suas categorias,
repondo a inflação e garantindo aumento real, reunimos todas as condições
para avançar enquanto classe trabalhadora. Basta arregaçarmos as mangas,
erguer a voz, com a disposição de luta e garra cutista, e colocar o pé
na estrada. Rumo a Brasília, nos próximos dias 28, 29 e 30 de novembro.