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CENTRAL  ÚNICA DOS TRABALHADORES
SANTA CATARINA

 

                                

     

Artigo

Por que a CUT é contra a ALCA?

A proposta da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) partiu do governo dos Estados Unidos em 1994. Sua lógica é a da globalização neoliberal - favorecendo os negócios das grandes corporações multinacionais - e da consolidação da hegemonia dos EUA na região. O acordo trata da eliminação das barreiras ao comércio e aos investimentos entre 34 países do Continente Americano, excluindo apenas Cuba. Se os presidentes desses países chegarem a um consenso em Quebec, no Canadá, a ALCA entrará em vigor em 2005.

Os defensores da ALCA dizem que será um bom negócio para todos. Trata-se de um engano ou má fé. A Economia norte-americana é desproporcional à dos países latino-americanos. (Veja algumas estatísticas na tabela abaixo). Um tratamento igual entre desiguais favorece sempre o mais forte. O pior, no entanto, é que da forma como vêm sendo conduzidas as negociações, a ALCA vai permitir a abertura de nossos mercados mas não vai garantir o acesso ao mercado dos países desenvolvidos. É o que tem acontecido na Organização Mundial do Comércio (OMC). Pelos critérios da OMC, o Canadá pode subsidiar sua indústria aeronáutica mas o Brasil não, como ficou evidente no caso da disputa entre a Bombardier e a Embraer. A indústria farmacêutica norte-americana - utilizando os acordos sobre patentes e seu poder de monopólio - pode impor o preço que quiser aos remédios que combatem a AIDS, mesmo que isso signifique a morte de milhões de pessoas no Brasil. E a lógica da ALCA segue a da OMC.

O problema maior, nesse caso, é que os governos latino-americanos - com o Brasil à frente - são totalmente dependentes dos EUA. O modelo econômico imposto faz com que as economias entrem em crise se os capitalistas internacionais não investem. E, recorrentemente, o governo dos Estados Unidos empresta divisas para "enfrentar a crise" desde que o país se submeta a certas "condições" impostas pelo FMI - como aconteceu com o Brasil após janeiro de 1989.


Por outro lado, a ALCA vai funcionar como um instrumento de pressão dos empresários sobre os trabalhadores de todo o Continente, incluídos os dos EUA e Canadá. Os níveis salariais são muito diferenciados entre os países do Continente. Por exemplo, enquanto o "custo do trabalho por hora" no setor industrial dos EUA em 1999 era de US$ 19,20, no México era de US$ 2,12. Com a ALCA, os empresários poderão ameaçar os sindicatos em cada país de que em caso de não aceitarem condições salariais e de trabalho mais rebaixadas, o investimento irá para outro país. A ALCA promoverá uma "guerra fiscal" em escala continental, na qual perderão os trabalhadores de todos os países.

Indicadores econômicos dos 34 países da ALCA - 1998

Região ou País

Participação no PIB (%)

PIB por habitante (US$)

Participação da população (%)

América Latina

19%

4.100

62%

Mercosul

10%

5.281

26%

Estados Unidos

76%

32.104

34%

Canadá

5%

19.779

4%

(Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CUT)

 
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